
As chuvas que atingem a Bahia já afetaram
430.869 pessoas, informou o governo estadual, na noite deste domingo, 26. De
acordo com os dados totalizados pela Superintendência de Proteção e Defesa
Civil da Bahia (Sudec), o Estado já tem 16 mil desabrigados devido às enchentes,
além de 19.580 desalojados, 18 mortos e 2 desaparecidos. A quantidade de
feridos, até o momento, está em 286, mas o número não foi atualizado desde o
último boletim por falta de informações. A situação no território baiano é tão
desesperadora que, na tarde deste domingo, o governador Rui Costa (PT) colocou
mais 47 municípios em estado de emergência, subindo para 72 as cidades baianas
nas quais os efeitos das tempestades resultaram na medida.
“Visitei Itabuna e Itajuípe e as imagens são
muito fortes. Na história recente da Bahia, não lembro de tragédia tão grande.
Vamos seguir trabalhando e cuidando das pessoas”, lamentou Rui Costa, em vídeo
postado em sua conta no Twitter, no início da tarde deste domingo. Até o
momento, 58 cidades baianas estão debaixo d’água, segundo balanço parcial
divulgado pela Defesa Civil. Por isso, o foco das autoridades está em salvar as
pessoas ilhadas. “Nesse momento [o objetivo é] salvar as pessoas com botes,
helicópteros. Tirar as pessoas de cima dos telhados, de cima das casas, de
pontos ilhados”, afirmou o governador, que sobrevoou algumas regiões de
helicóptero.
Além da preocupação com as pessoas
desabrigadas, o governo da Bahia também monitora as situações das barragens
estaduais. No último sábado, a prefeitura de Itambé já havia emitido um alerta
para o rompimento da barragem de Iguá e solicitado para que todas as pessoas
deixassem as margens do rio Verruga. Já na manhã deste domingo, foi a vez de
Jussiape, na região da Chapada Diamantina, anunciar que uma barragem se rompeu,
informando que uma “enxurrada” deve atingir algumas áreas do município. Para
piorar, conforme a previsão da MetSul Meteorologia, as fortes chuvas devem
continuar atingindo o território baiano nos últimos dias de 2021 – os maiores volumes de água devem ficar
concentrados no oeste e no sul do Estado.
Força-tarefa
Para tentar conter uma das piores tragédias
da história da Bahia, governadores de Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo,
Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraíba e Sergipe enviaram bombeiros militares,
viaturas, aeronaves, botes e um barco. “Nós estamos com helicópteros, inclusive
de outros estados. Quero agradecer aos governadores do Nordeste, do Maranhão,
do Ceará, Sergipe, e também dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Mas,
precisamos de tempo porque a área é muito grande. Vale do Jiquiriçá, região de
Ipiaú, de Gandu, no Oeste da Bahia, infelizmente, também têm cidades alagadas.
Aqui no sul da Bahia são muitas cidades”, disse o governador, que ampliou mais
uma vez a estrutura de apoio às vítimas. Além de Ilhéus, as cidades de
Itapetinga, Vitória da Conquista, Ipiaú e Santa Inês também contam com postos avançados
para facilitar o trabalho dos bombeiros.
Rui Costa informou que vai permanecer em
Ilhéus coordenando as ações de apoio às vítimas e convocou a população para
ajudar na conscientização das pessoas que vivem em áreas de risco. “Se você
conhece alguém em qualquer dessas cidades que viva em área de risco, avise para
que essas pessoas deixem suas casas. Se você mora em áreas mais baixas, não
resista em deixar sua casa, se a água começou a chegar, saia de casa
imediatamente, procure um lugar seguro, a casa de um amigo, de um parente, ou
um abrigo da prefeitura”, disse, em mensagem gravada para a população baiana.
“Vou dormir aqui, e vamos continuar visitando as cidades, apoiando e
acompanhando o atendimento dos bombeiros, dos policiais, das equipes médicas.
Eu conto com a ajuda de vocês para vencer essa tragédia, acrescentou.